Relato do Parto da Anahi!

19.7.12 1 Comments A+ a-

Começar a escrever o relato do meu parto é difícil pra mim, é complicado escrever um relato de um sonho realizado, da medo de misturar o que é realidade e o que é fantasia! Fantasia? Sim... fantasia, passei semanas fantasiando como seria... espero ser o mais realista possível! Outra coisa complicada é saber a partir de que data começar a relatar... da decisão por um PD? Do dia que soube da existência das doulas? Da primeira consulta com um GO humanizado? Dos pródromos?
Bom... vou para onde tudo começou, vou partir do dia em que ouvi pela primeira vez a sugestão de um parto em casa!
Por volta dos 4 meses de gestação, um amigo e vizinho nosso, o Rogério, pai do Francisco, que nasceu na casa deles, nos olha e diz: “Porque vocês não fazem o parto em casa?!” Pensei... ele é louco e com louco não se discute... respondi um “Vamos ver!” e encerramos o assunto!
Com cerca de 28 semanas de gestação, pesquisando coisas na internet, vi um vídeo que mudou minha vida e o que eu pensava sobre partos... era um parto natural, em casa, em uma banheira... lembro que na hora que o bebê nasceu eu caí em lágrimas em casa!
Mostrei ao Vagner, meu marido, ele gostou também... aliás, ele sempre me apoiou em tudo, me incentivou muito!
Aí entrei na lista Parto Nosso e fui “achada” por uma Doula... a Zezé... minha professora de Yoga, Doula, amiga e co-responsável por tanta coisa boa que me aconteceu depois disso!
Daí até meu parto fui devorando livros, relatos, informações sobre minhas chances de ter um VBAC, mudei de médico sem meu plano cobrir nada, decidi pagar pra ter o parto do jeito que EU queria... simmmm... EU queria... e descobri que poderia... do jeito que minha Anahi merecia! Eu merecia parir, já havia passado por uma cesárea muito desnecessária (Relato do Parto de Maria Clara) e agora que eu sabia que eu podia... ninguém ia me tirar isso!
Eu e Vagner queríamos o parto em casa, mas a casa é da minha sogra, e além dela meu cunhado também mora conosco! Portanto, teríamos que convencê-los... demorou... demorou... mas conseguimos... na última semana... embora eles ainda estivessem apavorados com a idéia, deixariam a casa liberada... \o/
Minha nova equipe médica era exatamente a mesma que fez o parto do Francisco, o filho do Rogério, que tempos atrás eu chamei de louco!
Eu li, conversei, tirei dúvidas, me emponderei, montei e preparei minha equipe para que tudo corresse bem e...
... com 37 semanas e um dia, 05 de Abril de 2011, fui para minha segunda (e última... mas eu ainda não sabia disso) aula de Yoga lá na casa da Zezé, foi ótimo, senti meu corpo funcionando, delícia! À noite senti umas contrações e achei que estavam muito próximas, comecei a marcar... variavam entre 8 e 10 minutos... aí a Zezé me mandou pro chuveiro... fui, e tudo passou... mas ela me alertou que poderiam ser os pródromos já!
No dia seguinte tinha uma reunião com a Zeza, a parteira, elemento fundamental da minha equipe! Eu e mais 3 gestantes fomos e tiramos muitas dúvidas... eu tirei todas as que me rondavam ainda!
Dia 07 acordei me sentindo estranha, limpando tudo e fiz uma lista das coisas mais importantes que faltavam no enxoval da Anahi!
Na sexta e no sábado fui ao centro de Porto Alegre comprar as coisas da lista, eram tantas coisas que fui dois dias, pra não carregar tanto peso com meu barrigão de 8 meses e meio!
Nada disso foi avisado a ninguém, NADA, NINGUÉM! Nem de pródromos, nem de sentimentos estranhos, ansiedade... enfim!
No sábado à noite, de papo com uma das meninas que trabalham em um centro espírita que eu já frequentei lá em Natal/RN, ela sutilmente me diz pra deixar tudo pronto, que minha Anahi estava chegando, que eu teria um parto rápido e tranqüilo... fiquei eufórica na hora... depois relaxei e senti que era hora só de esperar!
Domingão, almoço em família e eu tive certeza... era o meu último de barrigão! Depois de um dia bem normal... quando fui dormir, tive um pouco de cólicas... mas até aí, achei que tinha exagerado na lasanha!

Mas...
... dia 11 de Abril de 2011, segunda feira, ao amanhecer, casa vazia, minha sogra já tinha ido para o trabalho, e meu cunhado não havia chegado da noite. Fui ao banheiro umas 3 vezes com cólicas ainda, evacuei tudo que tinha... mas as cólicas continuaram... e de repente, um pequeno sangramento!
Não me apavorei nem nada e fui contar o tempo das minhas contrações! Pasmem, estavam de 3 em 3 minutos, mas mal doíam ainda... ainda!
Liguei para a Zezé pra deixá-la alerta e ela me mandou passar uma hora no chuveiro quente! Passei mas nada adiantou, pedi pra que ela viesse pra nossa casa! Meu marido se concentrou na faxina da casa, limpando tudo! Ele colocou as músicas que eu havia separado, comprou incensos, deixou tudo como havíamos combinado!
Naquele momento eu nem tinha lá muito certeza de que queria o parto em casa, apenas fui ficando lá, respirando... era um lindo dia e eu estava muito calma, muito tranqüila!
Daí a Zezé chegou, fiquei ainda mais calma, estava com um sorriso no rosto... ela encheu a bola, eu fiquei sentadinha na bola, rebolando, sentindo cada contração, sentindo as dores aumentarem... sem pânico... eu sabia que ia doer... mas eu estava bem preparada e equipada!

Por volta das 11h (eu acho) a Zezé ligou pro Ric e pra Zeza, meu obstetra e minha parteira, e avisou que meu trabalho de parto estava evoluindo! Na minha cabeça tudo passou muito rápido... lembro de pensar muita bobagem no começo, coisas do tipo: “a casa vai ficar toda suja”, “o Vagner vai se assustar”, será que vou sangrar horrores?”, “eu vou morrer!” rsrsrsrsrsrs Muitas bobagens e absurdos... mas com o aumento das dores, a concentração era mais do que necessária... lembrava das aulas de Yoga com a Zezé, ela falava “concentra na respiração em tubo”, “relaxa o resto do corpo”... e tudo me parecia estar indo muito bem... e estava! Por volta do meio dia o Ric e a Zeza chegaram, as contrações estavam doloridas mas bem ritmadas e suportáveis, o Ric fez um toque e eu estava com 4cm de dilatação... mas no toque, a bolsa estourou! Perguntei a hora e me disseram 12:40, achei uma maravilha pois na minha cabeça não tinha passado nem uma hora... fiz as contas e eu estava dilatando cerca de um centímetro por hora... me pareceu bom! Voltei pro chuveiro quente (que sensação boa), fiquei sentada na banqueta embaixo do chuveiro pra relaxar o corpo, mas tudo fluía muito bem... porém, depois da bolsa rompida, as dores eram mais intensas.
Lembro que no máximo de meia em meia hora a Zeza ouvia os batimentos da Anahi, o que me deixava mais confiante. Penduramos o cordel vermelho de capoeira do Vagner na janela do banheiro e a cada contração eu estava lá, pendurada, tentando manter a dor apenas onde realmente tinha que doer!

Lembro que em momento nenhum pensei em anestesia... as massagens da Zezé... o rosto da Zeza (a pessoa com o rosto mais sereno que já vi).. me acalmavam a ponto de fazer a dor diminuir... mas não por muito tempo (rsrsrs)! As dores aumentaram muito e eu desisti do chuveiro, lembro que nesse momento eu aceitava tudo o que me oferecessem, “quer sentar na bola?”, “quer água?”, “quer ir pra cama?”... minha resposta era sim pra tudo... mas fui pra cama... ficar na posição de 4 foi o que mais me aliviou, além das massagens da Zezé e da Zeza.
De repente comecei a sentir um ardor próximo a minha cesárea, não ouvi nada mas senti um ar preocupado do Ric, que decidiu por antecipar o próximo toque... muito é pouco... doeu TUDO... até xinguei ele, tadinho... mas as palavras dele depois do toque aliviaram muito as dores... “dilatação total, é só nascer!”.
Tive vontade de gritar de felicidade... não sei quanto tempo demorou desse momento até a Anahi nascer, mas eu lembro que doía, e eu gritava, pedia ajuda, um show... e de repente eu ouvi o Ric me chamando “Camila, CAMILA... vc vai assustar seu bebê!”.. e eu me perguntava, “Pq eu estava gritando?”... minha cabeça estava confusa, mas lá estava eu, no meu momento, sentada na banqueta, escorada nas pernas do meu marido que estava sentado na nossa cama, no nosso quarto... o Ric filmava, eu apertava a Zezé, e olhava a Zeza na minha frente fazendo uma respiração que eu entendi que era pra imitá-la, e foi o que eu fiz... respirei... respirei...
... de repente me deu uma vontade imensa de fazer força... e eu fiz! Jamais vou esquecer esse momento... o Vagner chorando, eu chorando... a Anahi chorando, linda, negrinha, toda inchada, bem pequena... deliciosa! Veio pro meu colo e parou de chorar... ficou calminha, coisa mais linda da minha vida!

Depois disso, me botaram na cama agarradinha com ela, tínhamos que esperar a placenta sair... momento mais que mágico! O Vagner com uma cara de bobo linda, quase sem acreditar. Ela bem calminha, não conseguia mamar, mas ficava me lambendo, que delícia... ser mamífera é uma delícia! A placenta saiu, o Vagner cortou o cordão... não lembro bem da ordem... rsrsrsrs. Botamos a menor roupa que tínhamos pra ela... ficou enorme.
Sentei na cama, muito orgulhosa do meu feito, muito feliz por ver os olhos do meu marido, muito segura, por ver que a minha decisão de parir em casa foi muito acertada... plena!
A Zeza pegou a Anahi pra fazer as medições necessárias, aproveitei pra tomar uma canja que o Vagner havia preparado. Depois disso a minha pequena dormiu... dormiu muito. Eu não cansava de olhar pra ela... eu ainda não canso de olhar pra ela...
Hoje ela está com 10 meses e 18 dias... ontem a noite ela andou sozinha pela primeira vez... e eu continuo muito orgulhosa dela, de mim, do meu marido e da família que construímos!

1 comentários:

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10 de março de 2017 07:35 delete

Ô, que coisa linda! Apaixonante esse relato!❤

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